1 de 1Carro dos suspeitos ficou com as marcas da troca de tiros — Foto: Maiara Barbosa/G1
Carro dos suspeitos ficou com as marcas da troca de tiros — Foto: Maiara Barbosa/G1
Mais de três anos após o assalto a um postos de combustíveis, em Mogi das Cruzes, que terminou com três jovens suspeitos do crime mortos por policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa finalizou o inquérito do caso e remeteu ao Ministério Público sem indiciados, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP).
Após a reconstituição do crime, em junho de 2019, os advogados contratados pela família de Matheus Wilson da Costa Reis, um dos mortos na ação, afirmaram ao G1 que o laudo da reconstituição do crime indicou que houve execução por parte dos policiais. A reportagem perguntou à SSP se o inquérito verificou algum crime, mas não recebeu resposta para o questionamento.
O caso aconteceu na noite de 9 de março de 2017. Na versão dos policiais do Deic, eles estavam em um posto de combustíveis, se preparando para uma operação, quando os suspeitos, que moravam em um condomínio de luxo de Mogi, foram roubar o estabelecimento e houve troca de tiros.
Além de Matheus, que na época tinha 19 anos, Vitor Andrade Gomes Tito, também de 19 anos, e Rogério Santos de Oliveira Filho, de 17, morreram ainda no local. Um quarto jovem, Victor Saldanha, foi baleado, mas sobreviveu. Ele foi preso e condenado a 14 anos, 4 meses e 12 dias de reclusão, pelo crime de roubo.
Na versão de Victor Saldanha, após a perseguição, quando o carro para, Matheus coloca os braços e a cabeça para fora do veículo, e é atingido pelo disparo de um dos policiais. Em seguida, um policial vai até a porta traseira do lado do passageiro, abre e dispara contra os quatro jovens. Depois contorna o carro, e ameaça disparar contra o próprio Victor, o único ainda vivo, mas um policial segura o braço dele e impede. Um vídeo, possivelmente gravado por um dos policiais, mostra Saldanha ferido. (assista abaixo)

Investigação: Vídeo é gravado por policial após suposta troca de tiros
O G1 teve acesso ao laudo da reconstituição do crime, realizada pelo Instituto de Criminalística, em 26 de junho de 2019. A defesa da família de Matheus elaborou 42 perguntas para serem respondidas pela perícia. Abaixo os principais resultados pontos do laudo:
- O perito Hans Anwender declarou que não é possível um tiro deixar “tatuagem” na pele da vítima quando há algum anteparo (vidro, porta, entre outros);
- As viaturas utilizadas pelos policiais no dia do crime não apresentam marcas de tiros;
- Nos locais físicos onde supostamente os jovens dispararam não há marcas de impacto de projétil de arma de fogo;
- Os policiais informaram que revidaram aos dois tiros efetuados pelos jovens, mas não souberam precisar quantos disparos eles (policiais) efetuaram;
- Perito afirmou que há relação entre a versão do sobrevivente, Victor Saldanha, sobre tiros à curta distância efetuados por policiais contra Victor Andrade Gomes;
- A dinâmica dos fatos relatada pelo sobrevivente (Victor Saldanha) é compatível com o exame cadavérico dos três mortos;
- A versão do sobrevivente há relação com o laudo apresentado pelo perito criminal Sergio Hernandéz, contratado pela família de Matheus Wilson da Costa Reis.
Em nota, a SSP informou que todas as circunstâncias relativas aos fatos foram investigadas por meio de inquérito policial instaurado pelo Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes. “O caso foi relatado à Justiça em agosto deste ano sem indiciamentos. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou uma Apuração Preliminar (AP), que segue em andamento”.
Já o Ministério Público informou que, diante da complexidade da investigação, a Promotoria está analisando o conteúdo do inquérito policial para as providências cabíveis. “O IP tramita em segredo de Justiça, não temos informações adicionais”, destacou a nota.
