
Com alta procura, alguns materiais de construção estão em falta nos estoques
Apesar da pandemia do novo coronavírus, o setor da construção civil não parou. Com a alta procura, alguns materiais estão em falta e acabaram ficando mais altos também. Para manter as vendas, comerciantes do Alto Tietê tentam absorver os custos antes de repassá-los ao cliente final, mas a situação preocupa.
Durante a pandemia, o preço da construção de uma casa ficou mais caro. O que era em torno de R$ 1,4 mil por metro quadrado, agora está em R$ 1,6 mil. O Helisvelton Vicente Sobrinho sabe bem disso. Ele é construtor e conta como tem sido difícil encontrar alguns materiais para a construção.
“Nós estamos sentindo o aumento no dia a dia, de estar comprando os materiais para estocar na obra e não tem. Além de não ter, o preço totalmente diferenciado. Um exemplo, esse tijolinho que vocês estão vendo aqui: há três meses, era negociado a R$ 28. Hoje a gente já paga nele R$ 35 e não tem ainda. A barra de ferro [era] R$ 26, hoje está R$ 46”.
Com mais de 30 obras em andamento, ele já sabe que vai ter prejuízo. Ele conta que, em algumas construções, não vai poder repassar o dinheiro ao cliente. “As casas que estão vendidas eu não posso passar para o consumidor. Eu vou arcar com isso, eu seguro. Mas as novas que estão por vir, as novas unidades, vou ter que repassar o aumento”, conclui.
Uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostra que quase 50% das empresas de construção foram afetadas de forma negativa durante essa pandemia. Das construtoras, 54,8% relataram ter sentido dificuldades no acesso aos fornecedores de insumos, isso na primeira quinzena de agosto em comparação com o mesmo período de julho.
1 de 1Material de construção fica mais caro no Alto Tietê e setor sente queda nas vendas — Foto: Reprodução/TV Diário
Material de construção fica mais caro no Alto Tietê e setor sente queda nas vendas — Foto: Reprodução/TV Diário
Uma loja de construção em Mogi das Cruzes já sente o reflexo desses problemas. Um deles é a dificuldade de encontrar produtos de acabamento. Por causa disso, as vendas já reduziram em 20%, como relata o gerente Jarley Suriane.
“Viemos em uma crescente muito boa. Antigamente, na parte da pandemia, quando foram fechadas as fábricas, a gente estava usando estoque das fábricas. As fábricas tinham estoque para atender, só que secou o estoque da fábrica e ela começou a produzir novamente. Até ela atender todos os pedidos que estão em espera, tem todo esse prazo”.
Materiais de acabamento, como azulejos e produtos de cozinha, estão difíceis de encontrar. Alguns estão demorando até 60 dias pra chegar na loja, comenta Jarley.
“Provavelmente o cliente não vai aguardar esses 60 dias o produto chegar. Todos os fabricantes, todas as marcas de cerâmica, estão nesse prazo de 45 a 60 dias. É o que a gente está tendo mais dificuldade de comprar”.
Produtos à base de cimento também estão em falta. Isso sem contar no valor que tem sofrido acréscimos nas últimas semanas.
“Cimento acaba faltando semanalmente. Eles pedem o prazo de 10 a 15 dias para entrega. Com o aumento do cimento, acaba agregando já o valor do bloco, que ele vai, no caso, o cimento junto. Já aumentou areia, já aumentou pedrisco. Tudo isso já agrega no custo do bloco”, afirma Cleiton Gimenez, responsável pelo material básico.
“Aço aumentou também. Mensalmente tem aumentado também o aço bastante. A porcentagem do alumínio aumento 30%. Fica complicado trabalhar. Não tem o que fazer, tem que repassar para o cliente. Acaba aumentando também o frete”, conclui,
