MP denuncia PM e ex-PM pela morte do adolescente Guilherme, de 15 anos, na Zona Sul de SP


Guilherme Silva Guedes desapareceu na noite de 14 de junho e foi encontrado morto, horas depois, com dois tiros na cabeça. O PM Adriano Fernandes de Campos está preso desde 17 de junho. O segundo suspeito do crime, o ex-PM Gilberto Rodrigues, continua foragido. O sargento da PM Adriano Fernandes de Campos, apontado como suspeito da morte do adolescente Guilherme, na Zona Sul de São Paulo.
Reprodução
O Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia, nesta sexta-feira (14), contra o sargento da PM Adriano Fernandes de Campos e o ex-PM Gilberto Eric Rodrigues. Segundo o promotor Neudival Mascarenhas Filho, os dois são apontados como responsáveis pela morte do adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, ocorrida em 14 de junho, na Zona Sul de São Paulo.
Segundo o texto da promotoria, “na noite do dia 13 de junho alguns jovens entraram no canteiro de obras da empresa Globalsan Saneamento e Construções, localizado na Rua Alvares Fagundes.” Ainda de acordo com a denúncia do MP, o PM Adriano Campos era responsável pela empresa de segurança Campos Forte Portarias, contratada pela Globalsan. Naquele momento, ele foi até o local com ex-PM Gilberto Rodrigues, foragido do Presídio Romão Gomes. Este costumava se apresentar na região do crime como “Roberto”.
O promotor disse ainda que “eles deixaram no canteiro de obras o veículo em que estavam e saíram a pé para localizar aqueles que teriam entrado no local. Os homens, porém, acabaram abordando o adolescente, que havia saído de casa pouco tempo antes e não tinha relação com a invasão à obra.”
Sargento da PM é indiciado pela morte do jovem Guilherme da Silva Guedes
Ainda de acordo com a denúncia, o adolescente Guilherme foi dominado e levado a uma travessa, onde foi executado a tiros. “O crime foi cometido por motivo torpe, pois agiram os denunciados para se vingar dos invasores, sequestrando e matando o primeiro garoto que viram pela frente, para que servisse de exemplo”, disse o promotor no texto da denúncia.
Mascarenhas Filho e o secretário especial de Políticas Criminais, Arthur Lemos Júnior, receberam uma comissão de parentes do adolescente e de integrantes da Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio. A entidade protocolou um documento em que pede a responsabilização das empresas pelo crime.
PM suspeito de matar adolescente de 15 anos é preso em SP
Entenda o caso
O sargento da PM, Adriano Campos, foi indiciado em 9 de julho por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, fútil e sem chance de defesa à vítima). Ele está preso desde o dia 17 de junho. Segundo o departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Campos se manteve em silêncio durante boa parte do depoimento que prestou à Polícia Civil e disse apenas que é inocente.
Os investigadores do DHPP ainda procuram o segundo suspeito de participar do assassinato. O ex-policial militar Gilberto Eric Rodrigues teve a prisão temporária decretada pela Justiça de São Paulo e ainda não foi localizado.
Segundo o DHPP, Gilberto e Adriano são os homens que aparecem à paisana em um vídeo gravado por câmeras de segurança no dia em que Guilherme foi visto pela última vez, na região de Americanópolis. Horas depois, o adolescente foi encontrado morto em Diadema, cidade da Grande São Paulo. O corpo dele tinha dois tiros na cabeça e marcas de espancamento.
De acordo com a investigação, o ex-PM e o sargento Adriano faziam segurança para uma empresa próxima a casa de Guilherme, quando o confundiram com ladrões que tinham invadido o local para roubar carregadores de celular. Em seguida, segundo a Polícia Civil, Gilberto e Adriano participaram da execução do adolescente. A vítima não tinha passagens criminais anteriores.
Guilherme Silva Guedes tinha 15 anos
Reprodução/Arquivo pessoal
Imagens do crime
Nas imagens gravadas pelo sistema de segurança da rua onde o adolescente foi visto pela última vez, o ex-PM Gilberto Eric Rodrigues aparece supostamente procurando algo enquanto Adriano Fernandes de Campos, o outro acusado, segura o que parece ser uma arma. Ao todo, sete pistolas de policiais militares foram apreendidas e estão sendo periciadas para saber se elas foram usadas no crime.
Além disso, a perícia da Polícia Técnico-Científica encontrou uma mancha num dos veículos apreendidos, que pode ter sido usado no assassinato. Os peritos suspeitam que essa mancha possa ser sangue e está fazendo exames de DNA para tentar constatar isso e saber de quem seria.
De acordo com o Ministério Público (MP), que acompanha as investigações, há indícios claros da participação dos dois suspeitos investigados no assassinato de Guilherme.
Polícia busca ex-PM suspeito de envolvimento no assassinato de Guilherme
A foto de Gilberto foi divulgada em 30 de junho pelo DHPP. Quem tiver informações sobre o paradeiro do ex-PM pode telefonar para o Disque-Denúncia, pelo número 181. Não é preciso se identificar.
Segundo os investigadores, Gilberto está foragido desde 2015 do presídio Romão Gomes, de onde pulou o muro junto com outro ex-policial que estava preso por homicídio.
Gilberto atuava no 37º Batalhão da PM, na Zona Sul, e está condenado por participação em homicídios simples e em chacinas na Grande São Paulo. Ele trabalhava para o sargento Adriano, que é dono de uma empresa de segurança.
Perícia conclui que adolescente Guilherme foi morto com dois tiros à queima roupa em SP

By Tribuna ABC

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