Pararu-espelho: a pomba que está desaparecida na natureza

Desaparecida da natureza, pararu-espelho é considerada um enigma pelos pesquisadores — Foto: Rosana Arraes 1 de 1
Desaparecida da natureza, pararu-espelho é considerada um enigma pelos pesquisadores — Foto: Rosana Arraes

Desaparecida da natureza, pararu-espelho é considerada um enigma pelos pesquisadores — Foto: Rosana Arraes

Falar sobre uma possível extinção é algo impactante e triste, mas ao mesmo tempo a incerteza do sumiço de uma espécie traz também a esperança de poder encontrá-la novamente na natureza. Esta é a realidade da pararu-espelho (Claravis geoffroyi), uma pomba da família Columbidae que está desaparecida desde a década de 80 e é considerada um verdadeiro enigma para os cientistas e pesquisadores.

A busca pela raridade pode se tornar mais difícil pelo simples fato da pararu-espelho ser muito semelhante à outra pomba que está presente em quase todo o Brasil, a pararu-azul. A principal diferença entre elas, além do status, é que a pararu-espelho possui três faixas grossas e escuras nas asas enquanto a prima possui diversas manchinhas.

Essa característica principal marcada nas asas existe tanto no macho da pararu-espelho quanto na fêmea. Porém a cor da plumagem do casal é distinta. Enquanto o macho tem as penas em tons cinza-azulados, a parceira apresenta o traje castanho.

O desaparecimento dessa espécie instiga os ornitólogos, já que no passado relatos apontam a ocorrência dela como uma ave abundante na região sul e sudeste do Brasil. No livro Ornitologia Brasileira, de Helmut Sick a descrição da pararu-espelho traz detalhes curiosos sobre a ocorrência: “Na região do Rio de Janeiro predominantemente nas montanhas (Serra dos Órgãos, Itatiaia, etc). Há meio século apresentava-se nos arredores de Teresópolis (Rio de Janeiro), em bandos de 50 a 100 indivíduos em novembro-dezembro quando a taquaruçu, a taquara e a criciúma carregavam-se de sementes, permanecendo até o outono”.

Como bem menciona a descrição, a dieta da ave estava relacionada à sementes de taquara e gramíneas. Além disso, era considerada uma espécie de pomba florestal, ou seja, que vivia em ambientes de florestas densas nas encostas da serra e bambuzais. Outra característica importante é que a pararu apresentava o hábito terrícola, normalmente era vista no chão buscando alimento.

No grande livro sobre as aves brasileiras um trecho indica que a presença da pararu-espelho já estava deixando de se tornar comum. “Nesses últimos tempos vem escasseando sensivelmente embora reaparecido em 1975, talvez devido ao ciclo da taquara”.

O desaparecimento dessa pomba pode estar relacionado à devastação do ambiente ao qual ocorria, mas até agora só existem especulações. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu com a pararu-espelho. Alguns pesquisadores acreditam que ela esteja extinta, outros têm ainda a esperança de reencontrá-la.

Claro que esse sentimento positivo de achar a espécie só aumentou em 2015 com a redescoberta de outra pomba, a rolinha-do-planalto, uma ave que ficou 74 anos sem ser vista e foi reencontrada despretensiosamente por um ornitólogo durante um trabalho de campo.

Seria a pararu-espelho a nova rolinha-do-planalto? Na natureza as coisas não são impossíveis, mas sim, surpreendentes.

By Tribuna ABC

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