Percentual de famílias com dívidas cresce e alcança novo recorde histórico; veja dicas para renegociação

Levantamento mostra que percentual de famílias com dívidas alcançou recorde histórico

Levantamento mostra que percentual de famílias com dívidas alcançou recorde histórico

Além de conviver com os riscos e perigos da Covid-19, muitas famílias brasileiras estão endividadas. Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio mostra que o percentual de famílias com dívidas aumentou em junho e alcançou novo recorde histórico.

As ruas da região central de Mogi das Cruzes estão movimentadas com a reabertura do comércio, mas muitos estão endividados. Grande parte carrega sacolas nas mãos, mas é só perguntar e os relatos de dificuldades financeiras começam a surgir.

“Complicou pra mim, ficou muita dívida para pagar. E agora tem pouco serviço, não dá pra pagar as contas”, diz o pintor Deusdete Antônio de Araújo.

“Acumulou bastante com essa pandemia. Meu marido trabalha registrado, mas diminuiu o salário, o tempo de trabalho, então ficou complicado com as dívidas”, diz a dona de casa Simone Penha.

Apesar de ruas de Mogi das Cruzes estarem movimentadas, muitos assumem endividamento — Foto: Reprodução/TV Diário 1 de 2
Apesar de ruas de Mogi das Cruzes estarem movimentadas, muitos assumem endividamento — Foto: Reprodução/TV Diário

Apesar de ruas de Mogi das Cruzes estarem movimentadas, muitos assumem endividamento — Foto: Reprodução/TV Diário

Cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de lojas, empréstimos pessoais, o percentual de famílias que relataram terem essas dívidas chegou ao patamar de 67,1% em junho deste ano, de acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio. O percentual é o maior já registrado desde o começo do levantamento, em janeiro de 2010.

A pesquisa, que é realizada todo mês, também apresentou tendências distintas conforme a renda das famílias. Nas que estão na faixa de até 10 salários mínimos, o percentual de endividamento cresceu de 67,4% em maio para 68,2% em junho. Já as com renda acima de dez salários mínimos, o percentual de famílias endividadas entre maio e junho diminuiu de 61,3% para 60,7%.

“As famílias com poder aquisitivo de médio para alto, elas não tiveram um maior endividamento. O que elas fizeram foi poupar um pouco mais, elas deixaram de gastar e, consequentemente, a economia parou de girar. As famílias com renda menor, elas tiveram perda do emprego, redução do salário. Essas sim foram afetadas diretamente no endividamento, porque hoje elas não têm condições de pagar as contas”, explica o consultor financeiro Everton Vieira Lima.

Buscar renegociação dívidas durante a pandemia é uma boa alternativa — Foto: Reprodução/TV Diário 2 de 2
Buscar renegociação dívidas durante a pandemia é uma boa alternativa — Foto: Reprodução/TV Diário

Buscar renegociação dívidas durante a pandemia é uma boa alternativa — Foto: Reprodução/TV Diário

Entre os principais motivos do endividamento, o cartão de crédito segue em primeiro lugar, representando 76,1% das dívidas. Em seguida estão os carnês, com 17,4%, e em terceiro financiamento de veículos com 11,7%.

“Compreender qual é a renda atual da família e compreender quais são as dívidas que ela tem e, se possível, não fazer mais dívidas. Entrar em contato com os seus credores, com os bancos, com as lojas e verificar a possibilidade de renegociar essa dívida diante do atual cenário de renda que ela tem. Um exemplo, se a família pagava R$ 300 num financiamento, entrar em contato com o credor para poder diminuir essa dívida a R$ 150 e alongar um pouco ela até que a renda volte ao normal”, explica o consultor financeiro.

Por conta da pandemia e mesmo com a retomada gradual das atividades, tem trabalhador que não acredita que vai conseguir resolver o problema das dívidas este ano.

“O impacto é muito grande na pandemia. Esse ano acabou, só no ano que vem agora para ver o que vou fazer da minha vida. Este ano agora já não conta mais, meus planos agora estão ficando todos para 2021 para ver o que vai acontecer.”

CORONAVÍRUS

By Tribuna ABC

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