
Sem a vacina da Covid-19, réveillon na Paulista e desfiles de carnaval serão cancelados
Escolas de samba e organizadores do carnaval de rua de São Paulo defendem adiamento do carnaval por conta da pandemia de Covid-19. O governador João Doria (PSDB) disse na tarde desta quarta-feira (15) que megaeventos como Réveillon e carnaval só deverão ser celebrados com a criação da vacina contra o coronavírus.
“O Brasil está prestes a alcançar dois milhões de casos confirmados e 316 mil mortes. É a maior tragédia da história desse país em qualquer tempo. Não há nada a celebrar, não há nada a comemorar. E muita atenção àqueles que diante de um quadro como esse ainda querem fazer atividades festividades de Ano Novo ou de carnaval. Nós não temos que celebrar nem Ano Novo, nem carnaval diante de uma pandemia. Apenas com a vacina pronta e aplicada, e a imunização feita, é que podemos ter celebrações que fazem parte do calendário do país, mas neste momento, não!”, afirmou Doria.
Sidnei Carriuolo, presidente da Águia de Ouro e também presidente da Liga das Escolas de Samba de São Paulo defendeu, nesta quarta-feira, um carnaval fora de época, mas só depois que o risco de contágio de coronavírus passar.
“Seria quase que uma comemoração, né, a respeito desse fim dessa pandemia. Não só a Águia de Ouro, mas todas as escolas estão muito conscientes disto, são sabedores desde lá no início. E a coisa está caminhando cada vez mais nesse sentido”, disse Sidnei Carriuolo.
Em agosto, as escolas de samba costumam começar a produção das fantasias e carros alegóricos. Nos barracões não há movimento desde o isolamento social decretado em março deste ano. Não há previsão de quando o trabalho será retomado para reciclagem de material das fantasias usadas no carnaval deste ano.
O carnaval de São Paulo bateu recorde de foliões e de números de blocos. A festa também vai ter de esperar. O fórum que reúne 200 blocos concorda com o adiamento da folia. “Mas não tem como a gente falar em carnaval, em pular, em folia, em meio a uma pandemia. Seria muita irresponsabilidade da nossa parte contribuir com isso”, disse Jorge Véspero Garcia, fundador do Fórum de Blocos de Rua de São Paulo.
O Réveillon também deve ser cancelado porque não tem como manter o isolamento social durante o evento. Na ultima edição da virada de ano mais de dois milhões de pessoas se encontraram na Avenida Paulista.
No dia 31 de dezembro acontece a São Silvestre, realizada desde 1925 em São Paulo. A edição deste ano está sendo discutida e a decisão sai em agosto.
O Grande Prêmio de Fórmula 1 do Brasil, previsto para acontecer em 15 de novembro deste ano no Autódromo de Interlagos, não tem nova data ou se será cancelado.
O Lollapalozza já foi transferido de julho para dezembro e ainda está mantido, mas o governo de São Paulo disse que se não houver vacina poderá impedir a realização de eventos particulares.
A Virada Cultural, que seria em maio deste ano, será feita em setembro de forma virtual, do mesmo jeito que foi a Parada do Orgulho LGBT.
“Se a prefeitura tiver esse protocolo claro, ela consegue minimizar os impactos econômicos, para de alguma forma restringir para aqueles grandes eventos. Para os demais você consegue através de procedimentos conciliar a parte econômica com a parte de saúde pública”, disse Joselson Sampaio, coordenador do curso de economia da Fundação Getúlio Vargas.
