PMs são presos suspeitos de matar jovem que andava de moto no dia de seu aniversário em SP

Dois policiais militares suspeitos de atirar e matar um jovem de 19 anos que saiu de moto para comemorar seu aniversário foram presos na manhã desta quinta-feira (3) pela Corregedoria da PM. O crime ocorreu em 9 de agosto na região do Parque Bristol, na Zona Sul de São Paulo. Os policiais já estavam afastados dos trabalhos realizados nas ruas.

A prisão preventiva foi decretada nesta quarta (2) pelo juiz Ronaldo João Roth, do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo. De acordo com a decisão judicial, os policiais mentiram quando apresentaram a versão do crime e não socorreram a vítima.

Rogério Ferreira da Silva Junior foi perseguido por policiais que também estavam em motocicletas. Na ocasião, o soldado da PM que atirou no rapaz alegou que disparou em legítima defesa porque achou que ele estivesse armado e fosse a atirar. Os próprios policiais admitem, no entanto, não terem encontrado nenhuma arma com a vítima.

Imagens de câmeras de segurança foram analisadas e constatou-se que o jovem, que estava ferido, estaciona a moto e cai no solo. Os policiais que o perseguiam não fazem nenhuma vistoria no suspeito apesar de alegarem que ele estava armado. Durante a abordagem, os policiais não sacam suas armas e nem fazem a revista pessoal.

“Além disso, verifica-se que não foram realizados os procedimentos iniciais de pronto atendimento à vítima, que permaneceu na mesma posição da queda até ser socorrida por populares, cerca de 30 min após”, diz o juiz.

O magistrado que determinou a prisão também alega que os policiais fizeram falsa comunicação de crime. “Na análise do áudio da comunicação com o COPOM, evidenciou-se que os policiais realizaram comunicação alterando o fato que realmente ocorreu, no que concerne ao acompanhamento policial e disparo realizado contra o civil, e inovaram os fatos alegando terem se deparado com ocorrência de acidente de trânsito, não mencionando haver vítima ferida por disparo de arma de fogo.”

Apenas após a chegada de outra equipe da PM foi solicitado socorro à vítima, que pode ter contribuído para sua morte. “fraudaram à comunicação da ocorrência, apresentando versão inverídica sobre os fatos, retardando assim o socorro à vítima ferida por disparo de arma de fogo.”

Jovem morre após abordagem policial na zona sul da capital

Jovem morre após abordagem policial na zona sul da capital

Um jovem saiu de moto para comemorar o aniversário de 19 anos, mas morreu baleado na tarde de domingo (9) após ter sido perseguido e abordado por dois policiais militares de motocicletas, na Zona Sul de São Paulo. Familiares e amigos acusam os agentes da Polícia Militar (PM) de atirarem em Rogério Ferreira da Silva Júnior, mesmo ele estando desarmado.

O PM que atirou no rapaz alegou que disparou em legítima defesa porque achou que ele estivesse armado e fosse a atirar. Os próprios policiais admitem, no entanto, não terem encontrado nenhuma arma com a vítima. Os dois agentes da PM foram afastados preventivamente dos serviços de rua para o que o caso seja investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM.

Inicialmente, a Polícia Civil e a Corregedoria da PM concordaram com a versão dos policiais e entenderam que se trata de “legítima defesa putativa”, que é aquela na qual o indivíduo imagina estar em legítima defesa, reagindo contra uma agressão inexistente. Mas isso não impede que essa posição mude no futuro durante as investigações.

A Polícia Civil e a Corregedoria iriam analisar o vídeo gravado por câmera de segurança mostra o momento que Rogério pilotando sozinho a moto que tinha pego emprestada de um amigo (veja acima). Às 17h51, o rapaz aparece sem capacete, trafegando pela Avenida dos Pedrosos, no Sacomã.

Em seguida é possível ver nas imagens o momento que dois policiais da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) cercam Rogério, que reduz a velocidade da moto até parar perto da calçada.

Na sequência, a moto tomba com o rapaz. Segundo o boletim de ocorrência do caso, Rogério teria sido baleado momentos antes de cair, ainda no momento que era perseguido. Outros vídeos, gravados logo em seguida por testemunhas com seus celulares, mostram Rogério agonizando sem socorro médico. As imagens circularam nas redes sociais.

Os PMs fazem um cordão de isolamento para impedir a aproximação da população, que demonstram revolva e acusa os agentes de execução.

“Aqui é o menino, gente”, grita desesperada uma mulher que filma Rogério.

Veja abaixo o vídeo que mostra momento exato que Rogério cai após ser abordado pelos PMs:

Bom Dia SP: imagens mostram momento em que jovem cai de moto ao ser abordado por policiais

Bom Dia SP: imagens mostram momento em que jovem cai de moto ao ser abordado por policiais

Amigo fala em tiro

“Até então, para mim, ele tinha caído, alguma coisa assim. Nem imaginei que fosse tiro, porque não tinha sangue por perto. O tiro foi fatal. Não foi [de] hemorragia que ele morreu, essas coisas. Foi do tiro mesmo. Aí eu parei, ainda tentei socorrer ele, os policiais não deixaram, fizeram o procedimento lá deles, falaram que já tinham chamado reforço e tal, não sei o quê”, disse o amigo que emprestou a moto para Rogério. Ele aceitou falar desde que não fosse identificado.

O caso chegou a ser registrado inicialmente no 26º Distrito Policial (DP), no Sacomã, mas depois a investigação foi transferida para o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da capital.

Segundo parentes e amigos de Rogério, o 26º DP não aceitou recebê-los para saberem se a ocorrência tinha sido registrada na delegacia do Sacomã. Posteriormente, o G1 apurou que o caso foi registrado como homicídio simples.

Depois, foi feito outro boletim de ocorrência no DHPP após a família e amigos de Rogério ficarem na frente do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa.

O caso foi registrado como “resistência, homicídio simples decorrente de intervenção policial, desobediência, dano qualificado, dirigir sem permissão ou habilitação, trafegar em velocidade incompatível e permitir direção de veículo automotor a pessoa não habilitada”.

“Só deixaram a gente tentar socorrer ele depois que ele não esboçava mais nenhuma reação”, falou o amigo de Rogério. “Porque de início, quando eu cheguei lá, ele estava vivo ainda. Ele estava tentando lutar ainda, estava agonizando, estava tentando respirar, estava até… lutando pela vida ali. Se deixasse socorrer, não sei, só Deus sabe, mas eu acho que ainda teria chances dele viver”.

Segundo testemunhas, uma amiga da família de Rogério, que é enfermeira, rompeu o cordão de isolamento dos PMs para tentar fazer massagem cardíaca no jovem, que posteriormente foi levado por parentes e amigos ao Pronto Socorro Municipal Augusto Gomes de Mattos, no Sacomã, onde morreu.

Segundo os PMs disseram no DHHP, o atendimento médico deveria ter sido feito por uma ambulância. Mas, ainda de acordo com os agentes, cerca de 50 pessoas insistiram para socorrer o rapaz. Posteriormente, o registro policial informa que uma viatura foi apedrejada por moradores em protesto contra a morte de Rogério.

Mãe pede justiça

Vídeo mostra rapaz em moto sendo abordado por 2 PMs na Zona Sul de São Paulo; depois ele cai morto — Foto: Reprodução/Redes sociais 1 de 1
Vídeo mostra rapaz em moto sendo abordado por 2 PMs na Zona Sul de São Paulo; depois ele cai morto — Foto: Reprodução/Redes sociais

Vídeo mostra rapaz em moto sendo abordado por 2 PMs na Zona Sul de São Paulo; depois ele cai morto — Foto: Reprodução/Redes sociais

“Era aniversário dele, ele estava muito feliz. Eu comprei bolinho para ele. A gente não conseguiu cantar os parabéns porque veio um e tirou a vida do meu filho”, disse Roseane da Silva Ribeiro, mãe de Rogério. “Eu quero justiça porque isso foi uma maldade, uma injustiça muito grande que fizeram com meu filho”.

Segundo Roseane, o filho trabalhava numa empresa de logística e estava fazendo curso de cabeleireiro, já que a mãe é cabeleireira.

“Um policial mal preparado. Para mim é um policial que não devia estar na rua. Entendeu? Ele [é] totalmente despreparado. O moleque não esboçou nada contra ele. Não tinha porque ele falar que ele se sentiu ameaçado. Não tinha porquê. Não tinha porquê. Até porque o policial está com a arma e ele está com o colete. O moleque estava sem capacete, não tem um colete à prova de balas e muito menos uma arma. Entendeu? Então acho que, assim, não era para ele ter feito isso, esse policial”, completou o amigo de Rogério.

Versão dos PMs

Familiares e amigos acham que Rogério foi perseguido e abordado pelos policiais pelo fato de estar pilotando uma moto sem capacete. Segundo os PMs disseram no boletim de ocorrência, eles foram abordar o rapaz na motocicleta porque, além da falta de capacete, o veículo estava sem placa.

Ainda segundo os agentes da Rocam, o condutor da moto não obedeceu o sinal de alerta para parar e fugiu “em alta velocidade e fazendo ziguezague pela via”.

De acordo com o registro do caso no DHPP, um dos PMs alega que baleou Rogério porque achou que ele estivesse armado e fosse atirar. “Durante a breve tentativa de fuga, o condutor da motocicleta fez menção de colocar a mão na cintura como se estivesse armado e simulando que buscaria sacar uma arma de fogo, o que fez os policiais militares pensar estar diante de uma iminente agressão, a qual foi repelido de imediato pelo policial”, informa trecho do boletim sobre o tiro que atingiu a região dorsal do rapaz.

A versão dos PMs foi aceita por um oficial da Corregedoria da PM que aparece no BO e pelo DHPP, que entendeu que o caso foi de “legítima defesa putativa”, que é aquela na qual o indivíduo imagina estar em legítima defesa, reagindo contra uma agressão inexistente.

By Tribuna ABC

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