
SP tem bares cheios no 2º final de semana de reabertura
Bares e restaurantes da Zona Oeste de São Paulo ficaram lotados na noite deste sábado (15), segundo final de semana após a Prefeitura liberar o funcionamento noturno. Na Vila Madalena, estabelecimentos tiveram aglomerações e desrespeito aos protocolos de segurança sanitária.
Na Zona Sul, a polícia foi chamada para dispersar pessoas que bebiam em um posto de gasolina e estavam sem máscara.
No dia 6 de agosto, a gestão municipal publicou decreto no Diário Oficial que estabelece as regras de funcionamento do setor na atual fase amarela do Plano São Paulo de flexibilização da economia, ampliando o atendimento.
Vila Madalena na noite deste sábado (15) — Foto: Reprodução/TV Globo
Vila Madalena na noite deste sábado (15) — Foto: Reprodução/TV Globo
De acordo com o decreto, o tempo de funcionamento dos estabelecimentos continua sendo de apenas 6 horas por dia, mas o horário por ser estendido até as 22h, não apenas até as 17h, como tinha sido determinado no início da retomada do setor.
No primeiro final de semana de funcionamento durante à noite, a prefeitura diz ter autuado mais de 70 bares. O valor da multa é de R$ 9.231,65, aplicada a cada 250m². Os estabelecimentos devem solicitar a desinterdição na subprefeitura da região.
O estado de São Paulo registrou 167 novas mortes por coronavírus em 24 horas neste sábado (15), chegando ao total de 26.780 desde o início da pandemia. Nesta quinta-feira (13), o governo de São Paulo mudou o critério para a contagem de mortos. Foram acrescentados aos valores do dia 221 óbitos que ocorreram no decorrer da pandemia e que, por conta de novas diretrizes do Ministério da Saúde, foram incluídos no balanço do estado apenas nesta quinta (leia mais abaixo).
O vice-governador Rodrigo Garcia afirmou em coletiva de imprensa nesta sexta que o estado alcançou a menor taxa de ocupação de leitos de UTI desde o início da pandemia, com 57,8%. Neste sábado, o índice de ocupação de UTIs é de 57,5%.
O governador João Doria (PSDB) está em isolamento em casa, devido ao diagnóstico positivo da Covid-19, e participou por videoconferência da coletiva.
Nenhuma região do estado foi rebaixada na classificação do Plano São Paulo de reabertura da economia nesta sexta-feira devido a piora nos indicadores de saúde. Uma mudança recente nos critérios de taxa de ocupação de UTI e margem de erro nos indicadores da pandemia facilitou o avanço de nove regiões para a fase amarela na última reclassificação.

Mudanças na confirmação do diagnóstico da Covid-19
Mudanças na contagem de mortes
Segundo informou a Secretaria Estadual da Saúde na quinta-feira, ocorreram mudanças no Guia de Vigilância do Ministério da Saúde e, agora, os casos e mortes por coronavírus poderão ser também confirmados por critério clínico-imagem, ou seja, por meio de exames de imagem que apontam alterações típicas da Covid-19 no organismo. Até então, os dados do estado contabilizavam apenas diagnósticos laboratoriais, segundo a secretaria.
Nesta sexta-feira, o secretário executivo do Comitê de Contingência do estado, João Gabbardo, afirmou que a mudança de critério pode refletir em aumento nas notificações futuras.
“Esses casos [incluídos na quinta] são do já passado, mas isso vai refletir no futuro, porque futuramente os pacientes que não vinham tendo casos confirmados por falta do exame laboratorial a partir de agora eles poderão ser confirmados. Então nós temos uma expectativa que haja um acrescimento que não é tão significativo, nos próximos dias, no número de óbitos”, disse Gabbardo.
O secretário considera a orientação do Ministério da Saúde para diagnóstico clínico positiva. “A mudança que o Ministério da Saúde fez nós consideramos positiva. Porque muitas vezes o diagnóstico pode ser confirmado pela avaliação clínica, pelo contato que teve com o paciente confirmado, pela imagem radiológica. E pode muitas vezes o exame não ter dado positivo. É muito comum toda a situação clínica apontar para um caso de covid, faz a coleta e dá negativo. A coleta desse exame e a tecnologia desse exame é muito complexa”, afirmou.
Também foram registrados neste sábado 11.408 novos casos em 24 horas, o que eleva o total de confirmações no estado para 697.530. O número inclui resultados positivos em exames laboratoriais para Covid-19, tanto do tipo rápido, que verifica apenas a presença de anticorpos, quanto do tipo que analisa a presença do vírus no organismo – o chamado exame RT-PCR.
As novas confirmações em 24 horas não significam, necessariamente, que as mortes e casos aconteceram de um dia para o outro, mas que foram contabilizadas no sistema neste período. Os valores costumam ser menores aos finais de semana e segundas-feiras.
Veja os novos registros no estado de SP nas últimas 24 horas:
- 167 novas mortes
- 11.408 novos casos
Veja o total no estado de SP desde o início da pandemia:
- 26.780 mortes
- 697.530 casos confirmados
A média móvel de mortes, que leva em consideração os registros dos últimos 7 dias e corrige as diferenças das notificações, é de 252 óbitos por dia. O índice está acima de 200 mortes por dia há 80 dias consecutivos no estado.
A estabilidade de mortes em um valor tão alto é chamada de platô e preocupa especialistas. Cinco meses após o registro da primeira morte, o estado de São Paulo ultrapassou no último sábado a marca de 25 mil vítimas pela Covid-19, o que representa um quarto do total do país.
‘Pente-fino’ nas mortes suspeitas
No início de agosto, o Ministério da Saúde publicou uma atualização do guia da vigilância sanitária, permitindo que as mortes suspeitas de Covid-19 que não tinham diagnóstico laboratorial fossem confirmadas por meio de exames de imagem. Com a mudança, agora podem ser confirmadas mortes pelo critério “clínico de imagem”, o que inclui pacientes diagnosticados por exames de tomografia nos quais há indícios claros da doença.
“Hoje, o governo estadual fez um pente-fino na base do Sivep-Gripe, buscando os óbitos que ainda não tinham diagnóstico definitivo, mas que agora podem ser oficialmente confirmados pra Covid com base no critério clínico de imagem, e incluiu no balanço”, disse a secretaria na quinta-feira.
Segundo a pasta, foram encontradas 221 mortes confirmadas por critério de imagem durante essa reavaliação de óbitos sem diagnóstico definitivo.
No início de abril, quando a orientação do Ministério da Saúde era fazer exames laboratoriais para coronavírus apenas em pacientes graves, o ministério já aceitava notificações da doença com base em diagnósticos clínico-epidemiológicos, ou seja, sem a necessidade de teste, segundo descrito em seu próprio site. Apesar disso, funcionários de unidades de saúde de SP afirmaram à reportagem, na época, que eram orientados a não notificar em sistema os casos sem exame laboratorial.
No site do Ministério da Saúde há hoje três tipos de confirmação de Covid-19:
- Por critério clínico: Caso com confirmação clínica, ou seja, com exame laboratorial, associado a disfunção olfativa ou gustatória aguda (perda de olfato ou paladar) sem outra causa.
- Por critério clínico-epidemiológico: Caso com histórico de contato próximo ou domiciliar, nos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sinais e sintomas, com caso confirmado para Covid-19.
- Por critério clinico-imagem: Caso ou óbito em que não foi possível confirmar a Covid-19 por critério laboratorial e que tenha alterações no exame de tomografia.
