
Vídeo mostra ‘fumaça’ saindo de shitake
Apesar dos cogumelos comestíveis chegarem ao Brasil com os imigrantes asiáticos em 1930, foi somente na década de 80 e 90 que houve uma difusão acerca do alimento.
O produto ainda é considerado elitizado, mas mais de mil produtores do Brasil, principalmente no estado de São Paulo, se esforçam para que esse alimento cheio de benefícios entre para a rotina alimentar de todos os brasileiros.
É o caso dos engenheiros Ocid Bueno Júnior e Carla Beschizza. Há 15 anos o casal largou a vida agitada da capital paulista e comprou um sítio em Gonçalves (MG). A ideia de criar uma cultura de alimentos orgânicos deu certo e desde então eles produzem diversos produtos. O shiitake chegou em 2012 e ficou com um lugar especial na produção familiar.
O shiitake (Lentinula edodes) é um fungo decompositor nativo do leste asiático. É o segundo cogumelo mais consumido no mundo, perdendo apenas para o Paris.
1 de 3O engenheiro Ocid Bueno Júnior no seu cultivo de shiitakes em Gonçalves (MG) — Foto: Ocid Bueno Júnior/Arquivo pessoal
O engenheiro Ocid Bueno Júnior no seu cultivo de shiitakes em Gonçalves (MG) — Foto: Ocid Bueno Júnior/Arquivo pessoal
“Nós amamos comer cogumelos e começamos a estudar mais sobre o shitake há 10 anos. Há oito começamos a produzir em toras de madeira e até hoje continuamos assim. Demora praticamente 10 meses para conseguirmos colher o produto final, mas vale muito a pena”, conta Ocid.
No começo de junho, o pequeno produtor rural decidiu filmar um momento curioso do cogumelo: quando os esporos estão saindo do fungo.
“Para a gente aqui é uma cena comum, mas acredito que seja diferente para muitas pessoas. É um alimento fantástico, todo mundo deveria conhecer”, diz.
2 de 3O shiitake é o segundo cogumelo mais consumido no mundo. — Foto: Daniel Gomes/Arquivo pessoal
O shiitake é o segundo cogumelo mais consumido no mundo. — Foto: Daniel Gomes/Arquivo pessoal
Segundo Daniel Gomes, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cogumelos e pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, o que aparece no vídeo é a dispersão dos esporos, que são as “sementes” do cogumelo.
“Quando o cogumelo está nesta fase significa que é o fim do ciclo reprodutivo dele. Na natureza, esses esporos se espalham com o vento e fazem com que novos cogumelos nasçam”, explica o especialista.
De acordo com ele, fora da natureza esses esporos perdem a função de reprodução, mas são usados para melhorias genéticas. A criação de novos shiitakes pelos humanos se faz a partir de partilhamento, um tipo de clonagem onde os produtores cortam uma parte do fungo e conseguem criar outro a partir dela.
No interior de São Paulo, a região de Mogi das Cruzes é considerada o berço da produção de shiitakes no Brasil. Estima-se que em todo país mais de 12 toneladas de cogumelos são produzidas anualmente.
3 de 3Aprenda como escolher o melhor shiitake. — Foto: Arte TG
Aprenda como escolher o melhor shiitake. — Foto: Arte TG
O shiitake pode ser comparado com um guarda-chuva. Começa bem fechado e vai abrindo aos poucos, até que se abre totalmente e vira a parte de dentro para o céu. Para a colheita de venda, o ideal é a coleta quando ele está aberto, mas com as lamelas para baixo.
“Quando ele se abre completamente e vira as lamelas para cima, começa a soltar os esporos e já passou da hora da colheita para a venda, mas não há problema nenhum consumir ele dessa maneira, só que algumas pessoas são alérgicas a esses esporos”, afirma Daniel.
Há duas formas de se produzir o shiitake. Em toras, como Ocid e a mulher fazem em Minas Gerais, de maneira que o fungo cresce dentro da madeira, e também em bloquinhos onde se usa serragem para a inoculação da semente. Ambos os processos variam de quatro a 10 meses.
Benefícios shiitake
O shiitake é conhecido como um “super alimento” por ter propriedades que melhoram a imunidade e por ajudar a controlar o colesterol. Ele também é rico em proteínas e vitaminas B, E e C, contém cálcio, ferro, potássio, fibras e ainda possui nove aminoácidos que auxiliam no funcionamento do organismo. Além de tudo isso, este fungo ainda é um alimento de baixa caloria.
Pode ser consumido em sopas, refogado e até em molhos. Como possui um sabor umami (um dos cinco gostos básicos do paladar humano) também é usado como aditivo alimentar para dar sabor a diversos pratos.
Outra forma de consumir este alimento é em cápsulas como suporte nutricional e até em remédios usados pela farmacologia para tratar algumas doenças.
