Passageiros da EMTU reclamam de lotação em ônibus após cancelamento ou alteração de 24 linhas

Projeto de ajuste e equilíbrio financeiro do governo do estado gera polêmica

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A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) cancelou ou alterou o trajeto de, pelo menos, 24 linhas de ônibus intermunicipais, os que têm incomodado os passageiros devido a lotação durante a pandemia de coronavírus.

A maioria das linhas foi cancelada a pedido da Prefeitura de São Paulo porque os ônibus faziam trajetos semelhantes aos das linhas municipais.

A auxiliar de enfermagem, Vânia Alves, pegava o ônibus na porta de casa. Agora, precisa caminhar cerca de 10 minutos pra chegar até o ponto. “Eram mais lugares, esse vem de manhã bem cheio, vem gente em pé e pra gente é difícil”, diz.

A cabeleireira Maria Mendes também reclama de lotação. “Geralmente a gente vai um em cima do outro é bem complicado”, disse.

Para a ajudante geral Valéria Rodrigues, o preço da passagem não reflete a qualidade do transporte. “É muito lotado, os ônibus, não pode ter esse contato, a gente pega transporte cheio e muitas vezes a condição é precária”, declarou.

A EMTU é ligada a Secretaria de Transportes Metropolitanos e atende 134 cidades no estado. No entanto, a empresa pode acabar caso um projeto do governo do estado de ajuste fiscal e financeiro seja aprovado na Assembleia Legislativa do estado.

O governo alega que “a empresa deixou de ser operadora direta de serviços metropolitanos de transporte passando a ser uma gerenciadora de contratos de concessão dos serviços”.

Se a EMTU for extinta, as atribuições serão transferidas para a Artesp, vinculada à Secretaria de Governo, comandada pelo vice-governador Rodrigo Garcia.

A Artesp “executa atividades de gerenciamento de contratos de concessão de operação de rodovias. Assim, a junção da gestão dos contratos de concessão dos transportes de passageiro sem uma única entidade pode trazer racionalização dos trabalhos”

Para o consultor de trânsito e transportes, Flamínio Fichmann, o fim da EMTU não beneficiaria os cofres públicos e o serviço pode piorar.

“A mudança da EMTU pra Artesp significaria uma visão do governo rodoviarista e não do transporte público de passageiros, com isso a gente vai ter um prejuízo por falta de conhecimento. A Artesp não tem estrutura pra fazer planos de transporte, gestão de transporte urbano e metropolitano. É ruim para todos nós, vai custar mais e vamos ter transporte público de pior qualidade”, disse.

A Secretaria de Transportes Metropolitanos disse que acompanha as linhas intermunicipais e sempre que contata necessidade novos ônibus são incluídos. A pasta também informou que menos de 10% das linhas precisaram ser reprogramadas durante a pandemia e que os passageiros estão sendo atendidos por linhas com itinerário coincidente com as linhas anteriores.

A Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo disse que fez estudos sobre o impacto e viabilidade de linhas da EMTU dentro da cidade para evitar interferências no trânsito e sobreposição com o serviço municipal.

Já a Secretaria de Comunicação do governo do estado disse que a proposta na Alesp não vai prejudicar os passageiros e que a EMTU tem prejuízo acumulado de R$ 1 bilhão.

By Tribuna ABC

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