Casal suspeito de armar estupro por app relata ameaças de morte em SP

Suspeita alega ter as mesmas mascas de jovem que denunciou estupro — Foto: Arquivo Pessoal 1 de 6
Suspeita alega ter as mesmas mascas de jovem que denunciou estupro — Foto: Arquivo Pessoal

Suspeita alega ter as mesmas mascas de jovem que denunciou estupro — Foto: Arquivo Pessoal

O casal suspeito de enganar uma estudante de 21 anos, que afirma ter sido estuprada durante um encontro marcado por um aplicativo de paquera, afirma que está recebendo várias ameaças de morte pelas redes sociais e que pensa até em mudar de cidade. Os ataques teriam ocorrido após o caso ganhar visibilidade e imagens dos dois suspeitos circularem pela web.

O caso foi registrado na Polícia Civil no último dia 28, quando uma estudante relatou ter sido abusada sexualmente após marcar um encontro por meio de um aplicativo de relacionamentos com outra jovem, uma estudante de Administração de Empresas de 20 anos, em um apartamento em Santos, no litoral de São Paulo.

Conforme a versão apresentada pela suposta vítima, o imóvel estaria vazio, no entanto, no momento do encontro, surgiu o companheiro da moradora, um empresário de 32 anos, que a teria estuprado após a jovem se recusar a fazer sexo com a outra mulher para ele assistir.

Em entrevista, o casal negou as acusações, afirmando que tudo aconteceu de maneira consensual, e que ela foi avisada da presença do rapaz quando chegou ao imóvel. Em contato com o G1, o advogado Raphael Meirelles de Paula Alcedo, que representa o casal, reafirmou essa versão. “Ela foi avisada assim que chegou. Ela reagiu naturalmente, disse ‘e daí? Não tem problema’”, afirma Meireles.

Jovem perguntou se suspeita morava sozinha antes de encontro — Foto: Reprodução 2 de 6
Jovem perguntou se suspeita morava sozinha antes de encontro — Foto: Reprodução

Jovem perguntou se suspeita morava sozinha antes de encontro — Foto: Reprodução

Com a repercussão do caso, ambos disseram que a vida deles mudou por conta das acusações da estudante. “Nossas vidas foram destruídas e não conseguiremos mais morar na cidade. Depois de esclarecer tudo, teremos que mudar”, afirmou o empresário, que prefere não se identificar.

Meireles explica que, devido à visibilidade que o caso ganhou, as pessoas descobriram quem era o casal e onde eles moravam em Santos. “As pessoas começaram a ir ao prédio, tirar fotos deles, os vizinhos já não os cumprimentam mais. Ameaças, inclusive de morte, pelo celular e pelas redes sociais, já estão acontecendo”, conta.

Relembre o caso

O suposto estupro ocorreu no último dia 26. As duas garotas teriam se conhecido por meio do aplicativo de encontros Tinder e migrado para uma plataforma de mensagens, na qual marcaram um encontro. A suspeita teria afirmado que estaria sozinha no apartamento, que pertencia à família dela e era de veraneio.

Jovem apresentou diversos hematomas pelo corpo após suposto estupro — Foto: G1 Santos 3 de 6
Jovem apresentou diversos hematomas pelo corpo após suposto estupro — Foto: G1 Santos

Jovem apresentou diversos hematomas pelo corpo após suposto estupro — Foto: G1 Santos

Ainda conforme o relato da estudante à polícia, as duas ingeriram bebidas alcoólicas na sala da residência. Em determinado momento, a moradora teria dito que o namorado estava no local. O rapaz apareceu no cômodo e, segundo a vítima, ele teria afirmado que “gostava de ver meninas fazendo sexo”. A estudante alegou que, após dizer isso, ele a forçou a beijar a outra jovem.

Ainda de acordo com o relato da jovem à polícia, o empresário tirou as roupas dela à força, a mordeu em algumas partes do corpo e, em seguida, cometeu o estupro, apesar dos protestos e pedidos para que parasse vindos da suposta vítima.

O casal contesta a versão e afirma que tudo foi consentido, e que o sexo ocorreu só entre as duas garotas. “Tudo foi consentido. Demos um beijo triplo, mas só elas ficaram entre si”, disse o rapaz em entrevista.

Mãos da suposta vítima ficaram inchadas. Advogado cita machucados de 'defesa' — Foto: G1 Santos 4 de 6
Mãos da suposta vítima ficaram inchadas. Advogado cita machucados de ‘defesa’ — Foto: G1 Santos

Mãos da suposta vítima ficaram inchadas. Advogado cita machucados de ‘defesa’ — Foto: G1 Santos

A suposta vítima denunciou o caso na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde entregou prints de conversas, fotos de hematomas nas costas, seios e coxa, além de roupas usadas no dia do encontro.

Por sua vez, o casal também entregou fotos da estudante de Administração de Empresas, que ficou com marcas pelo corpo, segundo ela, devido a mordidas que levou durante o sexo com a jovem que alega ter sido estuprada.

Marcas teriam sido feitas por estudante que disse ter sido estuprada, segundo a suspeita — Foto: Arquivo Pessoal 5 de 6
Marcas teriam sido feitas por estudante que disse ter sido estuprada, segundo a suspeita — Foto: Arquivo Pessoal

Marcas teriam sido feitas por estudante que disse ter sido estuprada, segundo a suspeita — Foto: Arquivo Pessoal

Aplicativo

Em nota enviada à Reportagem, o aplicativo de paqueras Tinder, por meio do qual as duas jovens se conheceram, afirma que baniu o perfil da suspeita da plataforma e que irá cooperar com a investigação da Polícia Civil.

“Estamos muito tristes com essa notícia. Nossos pensamentos estão com a vítima, sua família e amigos. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para cooperar com o cumprimento da lei e auxiliar na investigação”, disse em um trecho da nota.

Investigação

Sobre as investigações, a Polícia Civil afirmou ao G1 que estão bem adiantadas, mas que não é possível divulgar mais informações, para não prejudicar o andamento do inquérito instaurado. Conforme Lopes, a equipe de investigação foi até o prédio onde ocorreu o encontro e recolheu imagens de câmeras de monitoramento que mostram o horário em que a jovem entrou e saiu do local. O casal prestou depoimento na DDM na quinta-feira (3).

Caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Santos, SP — Foto: Maria Regina Freire Martins 6 de 6
Caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Santos, SP — Foto: Maria Regina Freire Martins

Caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Santos, SP — Foto: Maria Regina Freire Martins

By Tribuna ABC

Veja Também!